
Cerca de um ano após o início do blog "Para Francisco", os escritos e desabafos da publicitária mineira Cristiana Guerra passam às páginas do livro homônimo, recém-lançado pela editora Arx. Cristiana, para quem não sabe, ficou viúva dois meses antes de dar à luz ao filho, nascido em março do ano passado. Seu marido, Guilherme, teve morte súbita. Para lidar com a dor e contar ao filho Francisco sobre o pai, ela começou a escrever. Os textos chamaram a atenção pela delicadeza e força de suas memórias - hoje, o blog recebe cerca de 2000 visitas por dia. Trocamos algumas palavras com Cristiana para você ler aqui.
Há alguma influência em seus textos de autores que você costumava ler na infância?
Li o que toda criança lê, nada demais. Acho até que li muito menos do que gostaria. Não percebo uma influência clara de nenhum autor nos meus textos. Sou um pouco Drummond, um pouco Mário Quintana, Clarice Lispector, Adélia Prado, Júlio Cortázar, um tiquinho de Guimarães Rosa. Mas acho que aprendi a escrever comigo mesma, até por ser escrita simples, sincera e com certo humor – eu escrevia diário desde os 13, então são 25 anos escrevendo, mais os 18 anos como redatora publicitária – tempo em que a gente sai lapidando cada textinho de 2 parágrafos.
Até que ponto o blog foi importante para você voltar ao eixo?
Foi surpreendente perceber com quantas pessoas eu estava conseguindo falar – e o quanto isso mexia com elas. À medida que escrevia, enxergava melhor as coisas. Foi ficando cada vez mais importante falar com ele (Francisco). O blog era uma forma de ter disciplina e não parar de escrever. A partir do momento em que eu tinha leitores, esse compromisso se reafirmava.
Esperava encontrar pessoas que passaram pela mesma situação?
Não imaginava, no começo, que pudesse ajudar alguém. Só pensava que estava ajudando a mim mesma, eu precisava escrever. Comecei a escrever o blog como um registro. Escrevia e guardava virtualmente, aproveitando para dividir com quem quisesse ler. Mas achava que minha história tinha um aspecto particular demais para que alguém se interessasse por ela. Com o tempo, cada vez mais pessoas começaram a ler e se emocionar, provavelmente devido à circunstância inusitada. Na verdade, estava tocando em questões muito universais: amor, perdas, maternidade, viuvez, passado, futuro. Questões que fazem parte da vida de todo mundo.
Como foi passar por este processo autoral?
Fui escrevendo o que eu sentia, dia após dia. As coisas não paravam de vir. Com o tempo, admiti que estava escrevendo de verdade. Depois de seis meses escrevendo, os próprios leitores do blog começaram a pedir por um livro. Isso foi um grande presente: descobrir que eu escrevia.
O que o livro tem de novo em relação ao blog?
Reuni os textos do blog que considerava mais importantes para entrar no livro, melhorei alguns e acrescentei 20 ou mais textos inéditos, assuntos que eu havia começado a escrever, mas não haviam virado posts. O livro é uma adaptação do blog, mas tem muitas surpresas. A estrutura do livro é praticamente a mesma do blog. Mantive a estrutura de cartas.
Para conhecer o blog de Cristiana, clique aqui.
Veja também o vídeo no You Tube.
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